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08/07/2004 19:57

A família une a literatura de vários países

Juliana Junqueira

A família e sua importância para a construção de um romance foi o tema do quarto debate de quinta-feira, durante 2 Festa Literária Internacional de Paraty. O encontro de hoje reuniu a americana Siri Hustvedt, a portuguesa Lídia Jorge e o irlandês Colm Tóibín. Os escritores discutiram que a família ainda é o cerne de grande parte das narrativas. No encontro, eles falaram sobre como as novas estruturas familiares e a própria modernidade influenciam a composição dos romances modernos.

Logo de início, cada autor leu um trecho de sua obra por cerca de dez minutos. O trecho escolhido pelo irlandês Colm Toíbín – do livro “A Luz do Farol” (1999) – destacou o momento em que um dos personagens, depois de participar de um evento gay, decide revelar a sua família sua opção sexual. “De certa forma os gays reinventaram a família ou criaram uma nova estrutura familiar”, disse o autor, que explora nesta e em outras obras publicadas a temática homossexual.

A americana Siri Hustvedt – mulher do aclamado escritor Paul Auster - concorda que a maior parte dos romance envolvem ou são sobre a família. “Somos formados dentro e através dos outros. Nossa relação com a família começa cedo”, pondera a escritora, que escolheu para ler um trecho da obra “O que eu amava”, que acaba de ser publicado no Brasil pela Companhia das Letras.

A escritora portuguesa Lídia Jorge questionou se realmente a unidade familiar desapareceu. Para a autora, que leu parte do seu premiado livro “A manta do soldado”, a primeira vista esta unidade foi destruída. “Mas isso não é verdade, pois no fundo os sentimentos são os mesmos”, ponderou a escritora, que protagonizou um dos momentos mais engraçados do encontro.

Lídia foi questionada sobre porque o livro “A Manta do soldado” tem aqui e em outros países o título diferente do usado em Portugal. Lá, a obra chama-se O Vale da paixão. A escritora contou que o livro nasceu com o nome “Diante da manta do soldado”. Mas seu editor a aconselhou a mudar para não confundir o leitor com suas obras anteriores. Lídia tem dois livros publicados sobre a guerra na África. A autora concordou, ao constatar que isso poderia comprometer a identidade da obra, que tem como tema central um mistério envolvendo a vida de um ex-soldado. Assim, o livro em Portugal recebeu o título de “O vale da paixão”. “Mas sempre que ele é publicado em outros países, peço para usarem o título original”, contou ela sobre seu único capricho.

enviada por Redação






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