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09/07/2004 13:51
Caetano e Agualusa se encontram pelo ideal de um Brasil mais africano

Por Luciana Araujo

O encontro entre o cantor Caetano Veloso e o escritor angolano José Eduardo Agualusa foi marcado por um ideal comum aos dois: o de que o Brasil lidere um movimento pela manutenção da cultura africana. Mediada pelo cineasta Cacá Diegues, a mesa contou com a presença maciça do público, que ocupou os 550 lugares da Tenda da Matriz, onde são realizadas as mesas.

Além da afinidade com o tema em questão “África e Brasil: verdades tropicais”, a junção dos dois artistas na mesma mesa também foi influenciada pela admiração que cada um tem pela obra do outro. Para Agualusa, a revelação do Brasil se deu justamente por meio das músicas de Caetano.

Por sua vez, Caetano teve o primeiro contato com a obra do escritor por meio de uma editora italiana. “Ela me pediu que escrevesse um texto de apresentação para “O dia em que Zumbi tomou o rio” – dedicado ao cantor -. Li e fiquei muito excitado e ao mesmo tempo indignado com o fato de o livro não ter sido um acontecimento comentado nos meios intelectuais e jornalísticos brasileiros”, destacou Caetano, que apesar do entusiasmo com este livro revelou que seu preferido de Agualusa é “Nação crioula”.

Agualusa e Caetano ressaltaram em vários momentos da discussão, a responsabilidade do Brasil em liderar um movimento em busca da sobrevivência da cultura africana. “O Brasil precisa descobrir a África em sua vitalidade moderna, no cinema, na literatura, na música. Hoje, a boa música que é feita em Londres e em Paris tem uma grande influência africana. Estranho isso não acontecer no Brasil”, observou Agualusa.
enviada por Redação






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