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10/07/2004 18:13
Ferréz traz a periferia para o centro do debate na Flip

Por Luciana Araujo

O escritor Ferréz e o sociólogo José de Souza Martins empolgaram a platéia da Flip “Festa Literária Internacional de Parati”, neste sábado, com um tema árido: a exclusão social, ou melhor, a “inclusão perversa”, como define Souza Martins.

Morador do Capão Redondo, bairro da periferia paulistana, Ferréz retrata em seus livros a realidade que o cerca, fazendo do espaço marginalizado o protagonista de sua ficção. O jornalista Zuenir Ventura, mediador da mesa, celebrou a obra de Ferréz como uma novidade.

O jornalista destacou o fato de a periferia ter sido um recorrente objeto da arte, mas sempre vista do ponto de vista do centro. “Por maior que tenha sido a boa vontade dos artistas, o abismo entre uma realidade e outra sempre dificultou essa aproximação”, disse Zuenir Ventura, que aproveitou a oportunidade para elogiar a iniciativa dos organizadores da Flip abrir espaço para o tema. “É a inclusão da exclusão na Flip”, afirmou o jornalista.

“A palavra exclusão é uma grande sacanagem conceitual”, afirmou José de Souza Martins explicando ao público a idéia central de seu livro “A sociedade vista do abismo”. Segundo o sociólogo, a palavra exclusão não carrega em si a possibilidade de transformação e o que ele observa é que as pessoas não estão excluídas, mas incluídas perversamente, como é o caso do trabalho escravo.

“Eu vou pra onde eu quiser. Já visitei favelas de vários lugares do Brasil. No máximo um mano se aproxima e pergunta o que eu estou fazendo por ali. Quem está excluído do país inteiro é a elite”, argumentou o autor de “Capão Pecado” e “Manual prático do Ódio”. Este último, aliás, vai virar filme. Os direitos já foram adquiridos pela diretora Daniela Thomas e Antônio Pinto. Ferréz também deve trabalhar no roteiro.

Ferréz destacou ainda que o fato de ser da periferia não pode ser o motivo que desperte o interesse no leitor. “Às vezes uns mano mostram uns vídeos para mim e eu digo que está uma bosta e digo pra eles: o pessoal tem que gostar do nosso trabalho porque é bom e não por dó”, sentenciou Ferréz.

enviada por Redação






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