Tributo a Guimar�es Rosa
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08/07/2004 11:55
Filha de Guimarães Rosa é homenageada na abertura da Flip

Por Luciana Araujo

A programação oficial da segunda edição da Flip "Festa Literária Internacional de Parati" foi aberta na tarde desta quarta-feira com uma homenagem da prefeitura de Paraty à escritora e filha de João Guimarães Rosa, Vilma Guimarães Rosa. O prefeito José Cláudio de Araújo e o vereador José Pital entregaram à Vilma uma moção de aplausos."De todo coração: muito obrigada", disse Vilma, tomada de emoção, em agradecimento ao gesto.

Na seqüência, a escritora iniciou seu tributo a Guimarães Rosa, o grande homenageado da Flip 2004. Vilma iniciou sua fala destacando que falar de seu pai é sempre um dever, assim como um motivo de orgulho e devoção. Vilma, que trouxe sua conferência escrita, contou em palavras repletas de metáforas e poesia a vida do pai, destacando que tal narrativa seria "um desafio à sensibilidade" pois que tudo o que contava a enchia de saudade.

Deste modo, dados biográficos do autor já conhecidos pelo público, como o nascimento na cidade mineira de Cordisburgo, os estudos em Belo Horizonte, a vida diplomática, entre outros, foram se misturando a descrições e impressões muito particulares do homem que ele foi.

Entre as curiosidade sobre o Joãozito, forma como Guimarães era chamado pelos familiares quando menino, Vilma contou que aos sete anos de idade ele já era um verdadeiro rato de biblioteca, destacando um episódio. "Ele comprava limonada e empadinhas e entrava na biblioteca pública de Belo Horizonte. Certa vez, alguém, incomodado com aquele piquenique fez uma reclamação aos responsáveis pela administração. No entanto, o bibliotecário perguntou ‘você viu o que ele está lendo?’ – era um clássico francês - . Então, o rapaz completou ‘eu não me importo que ele engordure o livro", relatou Vilma.

Sobre a vida diplomática de Guimarães na Embaixada de Hamburgo durante a Segunda Guerra Mundial, uma das que mais impressionou a platéia era na verdade um relato de uma experiência fé. Vilma contou que o pai, agoniado por uma vontade tamanha de fumar, saiu de casa em Hamburgo, à procura de cigarros. Guando voltou a casa tinha sido bombardeada. Atribui o fato a uma intervenção divina.

Entre as várias características pessoais do pai, Vilma lembrou, por exemplo, o seu grande devotamento a tudo o que se propunha fazer. "O devotamento ao estudo, ao ofício literário era o mesmo que tinha ao fazer um desenho para os netos", citou a escritora.

Vilma não deixou também de prestar homenagem a sua mãe, Lygia Cabral Afonso Pena. "Ele é uma permanente reserva de surpresas", costuma dizer Lygia para a filha, referindo-se a Guimarães.

O encontro de três gerações de poetas na Flip

Juliana Junqueira, enviada especial em Paraty

PARATY- Três gerações de poetas, três estilos diferentes e uma coincidência: criações que aproveitam toda a sonoridade e ambigüidade da língua portuguesa para expressar a poesia. A terceira mesa da Festa Literária de Parati reuniu os escritores Francisco Alvim, Antonio Cícero e Arnaldo Antunes para não só falar de poesia, mas ler suas obras.

Por mais de uma hora, os três intercalaram-se lendo suas obras e oferecendo aos ouvintes o privilégio de ouvir a palavra escrita com o sabor da falada. Francisco Alvim – representante da geração 68 – é autor de versos sintéticos e precisos. Mineiro, o poeta que tem em seu currículo um Prêmio Jabuti usou do bom humor ou da ironia para atrair os expectadores e leitores. “Muitas vezes não transmito idéias, mas conflitos, emoções, exaltação”, disse Alvim.

Boa parte do encontro foi marcada pela musicalidade das obras de Antonio Candido (irmão e parceiro da cantora Marina Lima) e de Arnaldo Antunes, ex-integrante dos Titãs. Diz-se que a poesia dos dois é a palavra cantada. Foi justamente o que eles apresentaram. Cícero usou de um tom ritmado e preciso para ler poemas como A Prova, que ele dedicou ao compositor José Miguel Wisnik.

Os grandes momentos da mesa foram proporcionados por Arnaldo Antunes, que tem um estilo bem peculiar para ler a sua obra. Antunes usa não só da palavra, mas também do tom da voz, timbre, volume para complementar sua leitura. Para o artista, a criação de um poema é sempre muito prazerosa. “Sinto-me como quando era criança, brincando”, explicou o autor de As Coisas, que recebeu o Prêmio Jabuti de Poesia em 2002.

Tanto Cícero quanto Antunes surpreenderam o público ao revelarem que a criação da poesia escrita é diferente da cantada. “As letras de música podem ter o valor de um poema escrito, mas nem sempre funciona assim A letra é um organismo que só funciona com a canção”, explicou Cícero.



Arnaldo Antunes também acredita que o método de criação é diferente. “Não há como negar que há exceções, vários poemas meus foram musicados por outros artistas e o resultado foi legal”, disse. Mas para Antunes cada obra já nasce com um formato. “Quando começo a escrever já seu quando será uma poesia escrita, uma arte digital ou música”.
enviada por Redação






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