Tributo a Guimar�es Rosa
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06/07/2004 18:40
Flip: Paraty para Guimarães Rosa e para ti

Por Luciana Araujo

O grande homenageado da 2ª edição da Flip (Festa Literária de Parati), que começa nesta quarta-feira, é Guimarães Rosa. A primeira mesa que abre o encontro, que acontece até domingo, tem como tema principal “Grande Sertão: Veredas”, único romance do escritor e considerado o mais expressivo da literatura brasileira do século XX. Na seqüência, será realizado um show em tributo à toda a obra rosiana justamente pela música nela presente. Musicalidade que ganhará voz com Caetano Veloso, Mônica Salmaso, Arnaldo Antunes, o grupo Uakti e Arto Lindsay.

O tributo a Guimarães Rosa não está relacionado a nenhuma data comemorativa. Izabel Costa Cermelli, diretora executiva do evento, conta que o autor foi escolhido porque apesar de sua prosa ser extremamente representativa de nossa cultura, ela ainda não é muito conhecida internacionalmente. “Existem boas traduções da obra de Guimarães no exterior, mas ainda é muito pouco. A Flip, como um encontro internacional de literatura, tem o objetivo de não só trazer os autores estrangeiros, mas também de mostrar a literatura produzida aqui para o mundo”, explica Izabel.

No ano passado, o homenageado foi o escritor Vinícius de Morais e o propósito de divulgação era o mesmo. Entretanto, Izabel diz que não foi feito um acompanhamento para contabilizar os frutos da Flip e que por enquanto não há esta intenção. “A presença de agentes literários e editores estrangeiros, sem dúvida, pode estreitar as possibilidades e ampliar o interesse de publicação de autores brasileiros lá fora, mas a Flip é, sobretudo, um encontro cultural e social entre autores e leitores”, destaca.

A Flip, no entanto, apesar desta homenagem, não é monotemática. Flávio Pinheiro, diretor de programação, responsável por fazer o convite aos escritores e reuni-los em torno de alguns temas e por afinidades peculiares – como é o caso da conversa entre Chico Buarque e o americano Paul Auster, que têm em seus livros “Budaspeste” e “Noite do Oráculo”, respectivamente, o romance dentro do romance – preocupou-se principalmente em proporcionar aos participantes da Flip uma programação variada. “A literatura é facetada. Os estilos são distintos em seus gêneros, da mesma forma, minha idéia foi trazer para a Flip este mesmo painel variado”, diz.

Paraty, aliás, foi escolhida como sede da Festa pela editora e presidente da Flip, Liz Calder, justamente por facilitar este encontro. “A cidade é pequena, as pessoas transitam a pé, os escritores e seu público tomam café nos mesmos lugares”, diz Izabel, que lembra de um episódio engraçado acontecido ano passado. “Uma mulher se aproximou de um dos escritores e começou a dizer que o conhecia, que ele era aquele escritor português. Ela estava confundindo o Zuenir Ventura com o Saramago”, ri.

E se as ruas e casas de Paraty compõe o cenário ideal para o que desejam os organizadores da Flip, a cidade, por sua vez, não deixa de ter sua retribuição. De acordo com Izabel, o evento trás mais recursos que o carnaval ou qualquer outro feriado, o que contribui para um outro grande objetivo: Paraty ser titulada como Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Afinal, o município é um dos candidatos ao título, mas para isso, precisa comprovar capacidade de gestão do patrimônio.

E por falar na cidade, o nome do encontro “Festa Literária Internacional de Parati”, assim escrito com “i” no lugar do “y”, foi pensado justamente pela possibilidade de ser entendido não só como referência ao nome do lugar, mas também ao “para você”. “Este é o nome que pensamos para uma possível publicação da Flip, reunindo o conteúdo do evento”, conta Flávio Pinheiro. Idéia que ainda está de pé, mas que ainda não está acertada. Vamos ficar aguardando.


enviada por Redação






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