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09/07/2004 16:07
Luiz Vilela e Sérgio Sant'Anna opinam sobre a explosão do conto no Brasil

Por Luciana Araujo

Quando o assunto é o conto contemporâneo brasileiro, Luiz Vilela e Sérgio Sant'Anna são obrigatórios. Não à toa ambos foram convidados pela Flip “Festa Literária Internacional de Parati” para comporem a mesa “Breves (e exemplares) histórias”, em que este gênero, em que eles são referência, esteve no centro do debate.

Incomodado com comentários sobre quais devem ser os caminhos seguidos pela literatura atual, Sérgio Sant'Anna disse ter escolhido fazer a leitura de seu conto “Um conto abstrato”, porque acredita que também é possível tocar o leitor com experiências estéticas. “Escolhi como uma certa afirmação da experimentação da melodia”, afirmou.

Sérgio não citou nomes e ressaltou que não gostaria de polemizar, mas sua crítica foi claramente dirigida a declaração feita pelo escritor britânico Martin Amis, que disse em entrevista recente à revista “Bravo!” que o futuro da literatura está no destaque para o enredo.

Luiz Vilela, concordando com Sérgio Santana, companheiro de longa data, enfatizou que o escritor precisa ser livre para criar. “O autor tem que escrever o que quer. A necessidade de expressão da experiência é dele. O chão da arte é a liberdade”, sentenciou Vilela.

Os dois escritores falaram também sobre a grande quantidade de livros de contos que tem sido publicada no Brasil nos últimos anos. Sérgio Santana acredita que este excesso de cotistas que estão surgindo pode gerar qualidade. “. O conto é a inquietação da literatura no Brasil. Tanto os leitores como os editores precisam fazer uma seleção diante deste excesso” opinou Sérgio Sant'Anna.

Ainda sobre a explosão de novos autores, Luiz Vilela contou que recebe muitos livros, escritos por gente de todo o Brasil, lembrando as facilidades e recursos existentes hoje para a publicação. No entanto, apesar de apostar, como Santana, que o excesso gere qualidade, destacou alguns fatores fundamentais para se tornar um bom escritor: leitura; trabalho e sorte. “A loteria literária é mais difícil que a megasena”, comparou Luiz Vilela.


enviada por Redação






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